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POEMA
DE AMOR
Sempre
soube terminar os poemas
que falam de saudade, de amores
finitos, mas nunca começá-los,
pois o início tem gosto de ausência,
tem cheiro de perda, tem peso de outrora.
Amores
passados, perdidos, partidos,
apenas convidam ao silêncio,
e a confissão, e a solidão, florescem
implacáveis na ponta da língua,
como brados, como adagas,
e então, ao pretender o afago,
apenas desenho um lamento profundo,
e ao tentar esquecer o inesquecível,
implanto as lembranças na retina da memória,
que dói como se fosse o dia da partida,
e não a hora das reminiscências.
Mas,
sim: aprendi a dizer
que não te esqueço; que o eco dos teus pés
- que já foram o meu chão - retumba
a cada passo que caminho,
nesta doce amargura escandinava,
escondido entre loiríssimos cabelos
e branquíssimas mentiras.
Revejo
os instantes
e vejo que o tempo, a destempo,
ensina a dizer que te amo,
que te lembro quando é tarde,
quando a noite do tempo deitou-se
para sempre entre nós, como barco
sem água, como rio sem margens
como um dia sem horas.
Difícil
começar a dizer
da saudade que visto,
da angústia que vivo,
da dor que me ataca,
da culpa que sinto,
que não é vã, mas justa:
mea culpa, mea máxima culpa.
E
os minutos, esses que teimam
em ficar horas a lembrar-te;
e as horas, que ficam dias teimando
em reviver os instantes que não voltam,
apenas desamarram as palavras
que impunes e sem medo
se escrevem letra a letra
lapidando um pedido de socorro,
rabiscando um retorno ao passado,
esculpindo um desejo de futuro,
conquistando uma chance de ventura.
Sim,
não nego:
Quis
construir uma ponte de amor,
um dizer de saudade,
um grito de esperança
um pedido de clemência.
Nem
mais nem menos
nem muito ou pouco
nem tarde ou nunca:
um tudo ou nada.
Sim:
um
poema de amor
manchado de saudade,
pintado em cor remorso,
é o que tento iniciar
e não consigo,
pois dizendo que sim,
que te amo
e não te esqueço,
não começo, mas termino.
E
isso faço, começo terminando
com um resto de esperança,
que é o fim de todos os princípios,
e repito, como um disco,
que te amo, que te amo,
e que deixar-te foi tão duro
como te saber distante.
E
termino começando,
pronunciando o teu nome,
o que até agora apenas me atrevia.
Sim: vivendo de amor, e não morrendo,
suando de ternura, e não de angústia,
gritando de esperança, e não de raiva,
é que penso em ti
e digo que te amo
meu Brasil nunca esquecido.
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